30 setembro 2014

Clube das Pessoas Perfeitas

“Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores.” (Marcos 2.17)
Assim que comecei a frequentar uma comunidade evangélica há alguns anos atrás, tinha uma ideia de que jamais seria tão boa e tão amada por Deus quanto as pessoas que faziam parte daquela igreja, por mais que eu me esforçasse para ser aceita por todos e por Deus como uma pessoa “santa e pura” parece que meu pecado gritava mais forte aos meus ouvidos me chamando de pecadora e inadequada.
Eu me empenhava ao máximo para ser perfeita, afinal todos ao meu redor eram “perfeitos”, e eu precisava ser também, mas sempre errava em alguma coisa ou outra, por mais que eu prometesse pra mim mesma e pra Deus que não ia mais pecar, algo fugia do meu controle e mais uma vez a acusação pelo erro e o sentimento de culpa voltava a me rodear novamente.
Sempre que meus líderes me parabenizavam pelo meu “brilhante desempenho” em algo que fazia na igreja, eu ficava envergonhada e me perguntava se tinham ideia de que eu continuava a pecar. Sei que agora pode parecer ridículo e bobo o que estou dizendo, mas eu realmente acreditava que pelo fato de eu ser cristã eu nunca mais iria pecar, acreditava que eu era a única que ainda não havia adquirido o status de perfeição. Isso doía e por muito pouco não me levou a desistir de tudo por não me adequar aos padrões que eu pensava ser os padrões divinos.
Sabe o que é mais interessante? Hoje percebo que algumas das pessoas até gostavam de passar essa imagem de perfeição mesmo sabendo que ela é irreal, porque isso dava a elas um certo tipo de segurança ou sensação de uma espiritualidade elevada, mas eu não as culpo, também já agi assim algumas vezes. Acontece que quando não conseguimos nos sentir a vontade em um relacionamento com Cristo por causa da percepção de nosso pecado, buscamos nos aproximar dele com nossa aparente devoção e atitudes “santas”, e assim,  acabamos montando um “clube de pessoas perfeitas” como grande parte da Igreja se apresenta. Acontece isso toda vez que preferimos fingir que não pecamos ao invés de encarar nossos erros e aceitar o perdão que a graça nos proporciona.
Um grande problema que reforça a questão de a igreja ser considerada um lugar para pessoas santas e corretas, são seus membros não saberem como lidar com a questão do pecado, nem dos atos que cometem e nem com os dos outros. Muitas vezes tem dificuldade de cuidar de alguém que precisa de ajuda e acaba expelindo ao invés de acolher.
Somos rápidos em julgar e morosos em exprimir misericórdia.
Por sua vez as pessoas que olham de fora e de longe para as comunidades cristãs, muitas vezes não tem coragem de se aproximar, porque tal qual os que estão dentro, acreditam que não são boas o suficiente e que precisam se livrar de todos os seus males, vícios e pecados (como se isso fosse possível por conta própria) antes de serem aceitos no “clube dos perfeitos”.
Já em relação a nossos próprios erros, preferimos ignorá-los ao invés de encará-los frente à graça restauradora de Cristo, e fingimos que tudo está bem e na maioria das vezes, por dentro, gritamos por socorro, mas ninguém nos ouve, pois gritamos calados por medo de sermos repreendidos e julgados.
Toda essa ideia de perfeição desmorona quando a levamos para a luz da Palavra de Deus. Na verdade todos pecamos e precisamos de perdão e a Igreja se configura numa unidade de pessoas imperfeitas, no corpo, na alma e no espírito, buscando desesperadamente o alivio para suas dores. E este só se dá mediante a aceitação do fato de sermos imerecedores que recebemos o perdão pela Graça e Amor que se deu em sacrifício por nós e não por nossa própria conquista ou mérito. Essa é a maior revelação que uma pessoa pode conceber. Esta é a liberdade que gera a alegria é só quem é já experimentou pode entender.


Um comentário


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